Convivendo com a dor pélvica sem imaginar que ela pode indicar doenças importantes
Durante muitos anos, milhões de mulheres ouviram que sentir dor fazia parte da vida. Cólicas intensas, desconforto na região pélvica e dores durante a relação sexual acabaram sendo tratados como algo ‘normal’. O problema é que, em muitos casos, esses sintomas podem ser o primeiro sinal de doenças que merecem investigação e tratamento.
Para a ginecologista e mastologista Dra. Denise Joffily, um dos maiores desafios é justamente romper essa cultura da normalização da dor.
“Nenhuma mulher deve aceitar conviver com uma dor que interfere na sua rotina, no trabalho, na vida íntima ou no bem-estar. O corpo sempre envia sinais, e escutá-los é fundamental para preservar a saúde.”

A dor pélvica pode ter diversas origens. Entre as causas ginecológicas mais frequentes estão a endometriose, os miomas uterinos, os cistos ovarianos, a adenomiose e as infecções pélvicas. Em alguns casos, alterações urinárias, intestinais ou musculares também podem provocar sintomas semelhantes.
Segundo a especialista, observar quando a dor aparece, sua intensidade, duração e se está associada ao ciclo menstrual, às relações sexuais ou a alterações urinárias e intestinais ajuda a direcionar a investigação clínica.
“Nem toda dor pélvica significa a mesma doença. Cada paciente possui uma história e um conjunto de sintomas que precisam ser avaliados de forma individualizada. O diagnóstico precoce faz toda a diferença.”
Muitas mulheres adaptam a própria rotina para conviver com a dor, faltam ao trabalho durante a menstruação, evitam exercícios físicos ou deixam de ter relações por desconforto. Esse comportamento pode atrasar o diagnóstico e comprometer a qualidade de vida.
Hoje existem exames clínicos e de imagem capazes de identificar a causa da dor e orientar o tratamento mais adequado, que pode incluir mudanças no estilo de vida, medicamentos, fisioterapia pélvica ou procedimentos específicos, conforme cada diagnóstico.
“O objetivo não é apenas aliviar a dor, mas tratar sua causa. Quanto mais cedo a mulher procura atendimento, maiores são as chances de controlar os sintomas e preservar sua qualidade de vida.”
Mais do que um sintoma, a dor é uma forma de comunicação do organismo. Ignorá-la pode significar adiar o diagnóstico de doenças que possuem tratamento. Cuidar da saúde feminina também significa reconhecer que sentir dor constantemente nunca deve ser encarado como algo normal.
Dra. Denise Joffily
Mastologia e Ginecologia
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