Entre carreira, filhos, casa e uma rotina de cobranças, muitas mulheres chegam à perimenopausa e à menopausa tentando manter o mesmo ritmo de sempre. Mas o cansaço persistente pode ser um sinal de que é hora de olhar para si
Ela trabalha, cuida dos filhos, administra a casa, resolve problemas familiares, mantém compromissos profissionais e, muitas vezes, ainda ocupa cargos de liderança. No meio de tantas responsabilidades, existe uma pessoa que frequentemente fica por último: ela mesma.
Para muitas mulheres, essa sobrecarga coincide justamente com a chegada da perimenopausa e, posteriormente, da menopausa, períodos marcados por importantes transformações físicas e emocionais. Alterações no sono, mudanças de humor, dificuldade de concentração e sensação de menor disposição podem aparecer e se somar a uma rotina que já era intensa.
Para a terapeuta integrativa em Leis Biológicas, fisioterapeuta e escritora Anna Paula Talhari Queiroz, é importante olhar para essa mulher de maneira integral.
“Muitas mulheres passaram décadas acreditando que precisam dar conta de tudo. Elas cuidam dos filhos, da família, do trabalho, da casa e das necessidades de todos. Quando o corpo começa a sinalizar que esse ritmo não está mais funcionando, é importante não enxergar isso apenas como fraqueza ou falta de disposição. É um convite para olhar para si.”

Isso não significa atribuir todo cansaço à menopausa. A exaustão persistente merece atenção e, quando necessário, avaliação médica para investigar suas possíveis causas. Mas também é preciso considerar o contexto em que essa mulher está inserida.
A chamada “geração sanduíche” ilustra bem esse cenário: mulheres que ainda têm filhos demandando atenção e, simultaneamente, começam a assumir responsabilidades relacionadas ao envelhecimento dos próprios pais. Tudo isso enquanto continuam profissionalmente ativas e tentando preservar relacionamentos, vida social e projetos pessoais.
“O autocuidado não deveria começar somente quando a mulher chega ao limite. Reconhecer as próprias necessidades, estabelecer limites e compreender o que o corpo está comunicando também são formas de cuidado”, destaca Anna Paula.
Talvez um dos grandes desafios dessa fase seja justamente abandonar a ideia de que diminuir o ritmo significa produzir menos ou ser menos competente. Para uma geração de mulheres acostumada a conquistar espaço e provar diariamente sua capacidade, permitir-se descansar ainda pode provocar culpa.
Segundo Anna Paula, a reconexão com o próprio corpo e com a própria história pode ajudar nessa transição. “Existe uma mulher além da profissional, da mãe, da esposa ou daquela que cuida de todos. A perimenopausa e a menopausa também podem representar um momento de reencontro com essa mulher e com aquilo que ela deseja para os próximos anos da própria vida.”
Mais do que simplesmente suportar o cansaço, portanto, talvez seja hora de fazer uma pergunta diferente: de tudo aquilo que você carrega todos os dias, o que realmente precisa continuar sendo carregado por você?





