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Você consegue chegar ao orgasmo sozinha, mas não com o parceiro? Saiba o que pode estar acontecendo

Muitas mulheres vivem uma situação que, durante muito tempo, acreditaram ser um problema só delas.

Sozinhas, conseguem chegar ao orgasmo com relativa facilidade. Mas, durante a relação sexual, ele simplesmente não acontece.

A primeira reação costuma ser a culpa.

“Será que meu corpo tem algum problema?”

“Será que não sinto desejo suficiente?”

“Será que meu relacionamento não vai bem?”
Segundo a sexóloga Stephanie Seitz, na maioria das vezes, a resposta é muito mais simples — e muito menos assustadora.

“Se uma mulher consegue atingir o orgasmo durante a masturbação, isso já é um sinal importante de que seu corpo sabe responder aos estímulos. Na maior parte dos casos, a dificuldade não está na capacidade de sentir prazer, mas nas circunstâncias em que esse prazer acontece”, explica a Stephanie.

A diferença entre estar sozinha e compartilhar a intimidade com outra pessoa vai muito além do toque.

Quando está sozinha, a mulher conhece o próprio ritmo. Ela controla a intensidade dos estímulos, a velocidade, a pressão, o tempo e pode interromper ou recomeçar quando desejar. Não existe expectativa, comparação nem preocupação em agradar alguém.

Já durante a relação, outros fatores entram em cena.
“Muitas mulheres deixam de prestar atenção no próprio corpo porque passam a observar como estão sendo percebidas pelo parceiro. Pensam na aparência, no desempenho, se estão demorando demais para chegar ao orgasmo ou até se o outro está satisfeito. Sem perceber, saem da própria experiência e passam a assistir ao momento em vez de vivê-lo”, ressalta a sexóloga.
Stephanie explica que existe um personagem silencioso que costuma aparecer na vida sexual feminina: a carga mental.

Mesmo durante um momento íntimo, o cérebro pode continuar processando listas de tarefas, preocupações com os filhos, trabalho, contas para pagar ou responsabilidades do dia seguinte.

“O maior órgão sexual do corpo humano não é a pele. É o cérebro. Se ele permanece em estado de alerta, fica muito mais difícil entrar em um estado de relaxamento suficiente para que o orgasmo aconteça”, explica ela.
Outro ponto importante é que muitas mulheres conhecem exatamente o tipo de estímulo que funciona durante a masturbação, mas nunca tiveram coragem de compartilhar essa informação com o parceiro.

“Não existe leitura de pensamentos na sexualidade. O diálogo continua sendo uma das ferramentas mais importantes para uma vida sexual satisfatória. O parceiro não precisa adivinhar o que gera prazer. Ele precisa ser convidado a descobrir junto”, enfatiza Stephanie.
Stephanie lembra ainda que o orgasmo feminino raramente depende apenas da penetração. A maioria das mulheres necessita de estímulos diretos ou indiretos no clitóris, além de segurança emocional, conexão e tempo suficiente para que o corpo responda naturalmente.

“Existe uma cobrança muito grande para que o orgasmo aconteça como uma meta. Só que prazer não funciona sob pressão. Quanto maior a ansiedade para ‘chegar lá’, menor costuma ser a capacidade de relaxar”, diz a expert em sexualidade.

Outro erro comum é imaginar que essa diferença significa falta de amor ou incompatibilidade entre o casal. Na prática, isso quase nunca é verdade.

Segundo Stephanie, casais saudáveis também enfrentam dificuldades relacionadas ao prazer. A diferença é que conseguem conversar sobre o assunto sem transformar o orgasmo em uma prova de sucesso ou fracasso.

“Conhecer o próprio corpo é uma conquista. Compartilhar esse conhecimento com quem se ama é o próximo passo. O prazer deixa de ser individual e passa a ser construído a dois.”


Como aproximar o orgasmo da relação a dois?
·Conheça seu próprio corpo sem culpa.
·Compartilhe com o parceiro o que proporciona prazer.
·Não transforme o orgasmo em uma obrigação.
·Reserve tempo para a intimidade, sem pressa.
·Lembre-se de que segurança emocional também faz parte da resposta sexual.
·Procure ajuda especializada se essa dificuldade causar sofrimento ou persistir por muito tempo.


“Quando uma mulher consegue chegar ao orgasmo sozinha, ela não perdeu a capacidade de sentir prazer. Pelo contrário. Ela já encontrou o caminho. Agora, o desafio é percorrê-lo acompanhada, com diálogo, confiança e liberdade para ser exatamente quem ela é”, finaliza Stephanie.